26

Agosto
/ 2021


Da geladeira ao pneu: a importância da eficiência energética para o meio ambiente

É notório que o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) é necessário para que o país consiga otimizar seus recursos da melhor maneira possível. Assim como aconteceu com a geladeira (primeiro produto etiquetado do Brasil), a fabricação de pneus deverá receber a etiquetagem relativa à sua eficiência e economia energética, contribuindo para a preservação do meio ambiente,
 
Pneus mais sustentáveis serão vitais para os esforços de proteção ambiental, uma vez que a projeção para os próximos 30 anos é de que o número de veículos fabricados dobre em relação ao patamar atual.
 
Para limitar a emissão de gases de efeito estufa, bem como para evitar as emissões convencionais de monóxido de carbono e óxido de nitrogênio, outras partículas nocivas, além da redução de dependência de combustíveis fosseis, a sílica sustentável é essencial para a criação de produtos que não agridem o meio ambiente, em especial, o pneu. A fase de utilização deste item no veículo é responsável pela etapa de maior impacto ao meio ambiente, podendo representar 86% da emissão de gases na atmosfera. Além disso, a resistência ao rolamento é considerado o aspecto mais importante em relação ao consumo de combustível, sendo responsável por aproximadamente 20%.
 
A sílica é um dos principais ingredientes da formulação da borracha, material utilizado para a fabricação dos pneus, quando substituindo o negro de fumo. No caso da sílica precipitada da casca do arroz, tendo em vista que a produção é feita a partir da biomassa do arroz e não extraída de recursos minerais finitos – como o negro de fumo e a sílica tradicional –, a aplicação da sílica sustentável contribui duplamente para a preservação do planeta. Ao mesmo tempo que a origem é sustentável, sua aplicação aumenta a eficiência dos pneus, otimizando seu uso. Pneus formulados com este ingrediente geram menos resistência de rolagem, gerando menor arrasto, fazendo com que os veículos economizem de 5% a 7% no consumo de combustíveis, reduzindo a emissão de gases.
 
Pode-se observar um dos exemplos de eficiência energética na etiquetagem das geladeiras, considerando que este produto foi o primeiro, no Brasil, a ter seu consumo avaliado. Em 20 anos, a exclusão de geladeiras de categorias que possuíam alto consumo fez com que ocorresse economia de R$4 bilhões em energia e recursos, respresentando melhoria de 60% em relação à primeira etiquetagem. Vale ressaltar que o desempenho de consumo das geladeiras, em virtude do tempo de vida útil do eletrodoméstico (aproximadamente 15 anos), faz com que a melhoria energética ocorra sempre que esses estoques são substituídos. Ou seja, a busca pela eficiência precisa ser contínua, dado o tempo de utilização do produto, perdurando por longo período o uso naquele índice de eficiência atingido quando do lançamento do eletrodoméstico.
 
No caso dos pneus, o tempo de uso é bem menor, mas, como dito, têm influência direta no consumo de combustíveis e deve-se considerar que a emissão de gases é contínua durante a rodagem do veículo.
 
A média de vida útil do pneu é de 4 anos (40.000km) e a boa notícia é que, pelo seu ciclo ser mais curto, comparado com o da geladeira, o impacto nos estoques acontece de forma mais acelerada a partir do momento que a etiquetagem começar a cumprir papel semelhante ao que aconteceu com os eletrodomésticos. Os pneus menos eficientes serão substituídos pelos verdes, mais eficientes e sustentáveis
 
Etiquetagem no Brasil
 
O Inmetro é o órgão responsável pela fiscalização e acompanhamento do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), medida que visa fornecer informações aos clientes sobre o desempenho dos produtos através da Etiqueta Nacional de Conservação da Energia, avaliando características como a eficiência energética, dentre outros critérios que podem ajudar na escolha dos consumidores.
 
O PBE é decorrente do Protocolo firmado em 1984 entre Ministério da Indústria e do Comércio, hoje MDIC, e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica - ABINEE, com a interveniência do Ministério das Minas e Energia – MME.
 
No início, a adesão era voluntária, com o intuito de incentivar a melhoria contínua dos produtos, bem como a competição entre as empresas, passando, posteriormente à obrigatoriedade. Após a geladeira, diversos outros produtos também aderiram ao programa, como chuveiros elétricos, aquecedores, micro-ondas, dentre outros. 
 
Em relação à etiquetagem de pneus, assim como para os equipamentos eletrônicos, a proposta insere-se no contexto de uma busca por recursos sustentáveis, contribuindo na implementação da Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, bem como na Política Nacional sobre Mudanças Climáticas (PNMC).
 
Países como EUA, Alemanha, Japão e França já possuem seus programas de classificação de pneus. No Brasil, os responsáveis pela implementação da Política Nacional sobre Mudanças Climáticas eram o Ministério do Meio Ambiente e o representante do Conpet/Petrobrás, que também já eram parceiros no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. A partir destes atores, foi proposto que o Inmetro criasse o PBE Pneus no país.
 
Desde 2012, o Brasil segue os mesmos critérios de etiquetagem de pneus da Regulamentação usada pela União Europeia, sendo obrigatório desde janeiro de 2016 que todos os pneus - tanto importados quanto os já presentes no país - estivessem etiquetados.
 
Atualmente, a etiqueta dos pneus no Brasil é dividida por 3 categorias: o ruído, analisando os níveis de decibéis de barulho que o pneu pode causar; a resistência ao rolamento, responsável por mostrar a eficiência energética do pneu, ou seja, o quanto de combustível ele consumirá; e a aderência ao molhado, item que também é extremamente necessário em relação à segurança do veículo, uma vez que é responsável em evitar problemas como a aquaplanagem.
 
Para a preservação do meio ambiente, é extremamente importante que os pneus sejam compostos por bons materiais. Garantir a redução da resistência à rolagem utilizando compostos eficientes na fabricação dos pneus é sinônimo de economia de combustível.
 
Por isso, é necessário que haja uma política de desenvolvimento sustentável em relação aos pneus. Atualmente, apenas 30% dos pneus produzidos são green tires, ou seja, feitos de sílica de alta dispersão que fornecem baixo consumo de energia (dos quase 1 bilhão fabricados anualmente).
 
Este movimento de exigência da sílica sustentável na formulação dos pneus deve emergir da sociedade, no sentido de adquirir produtos não só mais eficientes como ambientalmente responsáveis.
 
Nesse sentido, vale ressaltar os dados da Análise de Impacto Regulatório (AIR) europeia: a redução de 1 kg/t de resistência à rolagem dos pneus de veículos de passeio pode resultar anualmente em cerca de 1,5% a menos de combustível, resultando em uma diferença no consumo total de até 10%. Além disso, a diminuição de emissões de CO2 de um automóvel médio seria de 15 a 20g/km. Em relação aos pneus de caminhão, a mudança de 1kg/t em resistência à rolagem resulta em uma economia de combustível de 5%.
 
A “sílica verde” é um item essencial na busca pela eficiência energética, uma vez que o material é indispensável na fabricação de pneus sustentáveis que fornecem alto desempenho. 
 
Assim como a etiquetagem de pneus serve para buscar formas efetivas de melhorar os produtos, tornando-os mais eficientes, o Brasil deve tomar a dianteira na exigência de processos fabris cada vez mais verdes, aliando performance, economia e preservação em um mesmo produto.
 
Mudanças no PBE 
 
A portaria nº 3332/2021, publicada neste mês pelo Inmetro, revelou novas regras que devem serem adotadas para a classificação de eficiência energética de refrigeradores. Com o processo de atualização do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a indústria de linha branca deve receber investimentos em torno de R$300 milhões.
 
Nesse sentido, a nova regulação da lei deseja economizar a energia elétrica dos brasileiros em R$ 32,5 bilhões até 2035. Segundo o presidente-executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento, apesar da indústria já oferecer produtos eficientes, a medida fará com que esse índice cresça ainda mais através da soma de novos produtos. Nascimento também relata que a discussão é importante, tendo em vista que estamos à mercê de uma crise hídrica e energética. Além disso, o texto prevê a aplicação da nova regra dividida em três fases.
 
Em primeiro lugar, teremos a fase que se inicia em julho de 2022, com as geladeiras sendo classificadas como A+ (Economia de 10%); A++ (Com diminuição do consumo elétrico em 20%); e A+++ (Sendo até 30% mais eficiente em relação ao atual). Desse modo, uma geladeira A+++ de duas portas frost-free (ou seja, de degelo automático) com suporte de até 500 litros, o consumidor manteria uma economia de R$ 10,14 levando em consideração uma tarifa média de diminuição de 13 quilowatts-hora (kWh) no mês, acrescidos de impostos de R$ 0,78 por kWh. 
 
Em 31 de Dezembro de 2025, quando entrar em vigor a segunda fase do programa, as subclasses são extintas e o novo A será mais rígido. Nessa etapa, os refrigeradores terão que apresentar uma diminuição de 40% do consumo de energia para serem classificados como A, de acordo com os novos níveis de classes que são baseados nas recomendações das Nações Unidas para regulamentação em eficiência energética para refrigeradores.
 
Por último, a terceira fase terá a data limite de adequação até 31 de dezembro de 2030. Este passo determina que os níveis de consumo para a classe A sejam ainda maiores, possuindo a necessidade de redução de 61% da média de consumo de energia das geladeiras fabricadas nacionalmente.
 
Além disso, os refrigeradores comercializados por todo território nacional passam a fazer parte da “classe tropical” (Também a mais rígida do mundo) após a atualização do PBE para este tipo de produtos. Esta categoria vale para os países que possuem temperaturas próximas dos 40ºC, uma vez que a necessidade de preservação e refrigeração de alimentos é maior em virtude do calor excessivo.
 
Para Renato Alves, diretor técnico setorial de linha branca da Eletros, as mudanças irão fazer com que a indústria tenha que se readaptar a situação. "Vai mudar a regra do jogo para fazer produto. Essa mudança vai demandar alguma adequação nos parques fabris." Inicialmente, a expectativa da Eletros é de que a indústria invista cerca de R$ 300 milhões com a finalidade de cumprir as exigências das três fases que entrarão em vigor.
 
Entretanto, Nascimento e Alves afirmam que esse valor pode sofrer alteração dependendo de como o consumidor irá reagir aos novos produtos. "O consumidor brasileiro está cada vez mais rigoroso e está sempre em busca de inovação”, complementa o presidente. Ademais, o executivo afirma que o consumidor, por ora, não sentirá os efeitos dos preços por causa do cronograma de alteração do novo programa.
 
Efeito Cascata
 
Movimentos como este, que intensificam o rigor da eqtiquetagem, devem produzir o mesmo efeito cascata que o primeiro programa. Inicia-se pela geladeira e espalha-se pelos demais produtos.
 
Considerando que o consumidor brasileiro está cada vez mais atento e conectado às questões ambientais e vive, no momento, os efeitos da escassez de recursos naturais, com impactos sociais, ambientais e econômicos, os ciclos devem ser mais curtos. A exigência por sustentabilidade é uma realidade do presente e se intensificará, sem volta, no futuro.  
 
Fontes: Valor, Folha de São Paulo e Assessoria Oryzasil
 
Foto: Freepik

24

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/ 2019

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31

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/ 2019

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